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agosto 03, 2019


por Rodrigo Moreira de Almeida

No primeiro post dessa série, vimos as características que diferenciam a espiritualidade luterana da católica romana e as condições que permitem o desenvolvimento de uma mística distintivamente luterana (o tripé leitura bíblica-oração-participação nos sacramentos). Nos próximos posts, veremos como essa mística se realizou historicamente, em suas diferentes modalidades.

Num dos trechos de Lutero citados no post anterior, podemos perceber que o reformador concebia a união com Deus como uma comunhão amorosa realizada por meio da fé. Isso permite discernir uma primeira modalidade da mística luterana, a saber, uma vertente devocional, que se distingue da mística especulativa de um Mestre Eckhart, por exemplo, direcionada ao conhecimento do fundamento divino da alma. Certamente, ambas visam à união com Deus, mas possuem atitudes existenciais diferentes para alcançá-la: no primeiro caso, Deus é concebido como o Outro ao qual a alma deve se unir a Cristo amorosamente através da fé; no segundo caso, Deus é concebido como a raiz da personalidade, e, por causa disso, deve ser buscado não fora, mas dentro de si mesmo.

Outra diferença está nas práticas espirituais que cada um desses tipos de mística exige. A mística intelectual, por sua própria natureza, está mais próxima de um tipo “monástico” de espiritualidade: concentração intensa, meditação, esvaziamento da mente são atitudes típicas do contemplativo, mas quase impossíveis de serem praticadas pelo leigo em meio à agitação do dia-a-dia. Em contraste, a espiritualidade devocional pode se apoiar em práticas mais simples, como a meditação sobre textos bíblicos e a oração, e, portanto, mais adequadas para aqueles que não desejam se retirar do mundo. No entanto, como as duas têm o mesmo objetivo, acabam se encontrando no final. Assim, a mística devocional, tal como a mística especulativa, é também uma forma de conhecimento, um aspecto que foi reconhecido pelo próprio Lutero:

“E esse conhecimento vem da fé, de acordo com a Escritura, ‘Se vocês não crerem, tampouco vão compreender’. Esta é aquela entrada na nuvem, Ex. 20:21, na qual são engolidas todas as coisas que os sentidos, razão, mente ou conhecimento do homem podem compreender. Pois a fé une a alma à invisível, inefável, inimaginável, eterna Palavra de Deus, e ao mesmo tempo, a separa de todas as coisas visíveis.” [1]

Como se pode perceber, a fé para Lutero não é simplesmente um ato da vontade individual, mas, acima de tudo, é uma forma superior de conhecimento, que une a alma a Cristo. Conhecimento e amor, portanto, não estão separados na fé: para usar um adágio dos monges cistercienses, com o qual Lutero certamente concordaria, “amor ipse est intellectus”(“o amor por si só já é conhecimento”). Trata-se de um saber que não é obtido nem pelos sentidos nem pela razão, mas pela negação de ambos, representada pela “entrada na nuvem”, um símbolo típico da literatura mística apofática. No entanto, Lutero faz um uso muito particular dessa metáfora, pois a ênfase do reformador recai não sobre a incognoscibilidade da essência de Deus, como na maior parte da tradição apofática ocidental, mas sobre a incognoscibilidade da relação com Ele: Deus é conhecido na imediaticidade da relação, e qualquer tentativa de compreender sua essência, mesmo através de negações, surge posteriormente à relação pessoal com Ele, estabelecida através da fé. Portanto, sendo um relacionamento com uma Pessoa, e não com uma essência, a fé pressupõe um envolvimento existencial completo, que mobiliza não apenas a razão e os sentimentos, mas também dimensões mais profundas da personalidade. Não por acaso, Lutero vê a fé como a atividade própria do “espírito” (pneuma), a parte mais elevada e mais interior do ser humano:

“A natureza do homem consiste de três partes – espírito, alma e corpo.[...] A primeira parte, o espírito, é a mais alta, mais profunda e mais nobre parte do homem. Por ele, o homem é capaz de captar coisas incompreensíveis, invisíveis e eternas. Ele é, em resumo, o lugar de habitação da fé e da Palavra de Deus.” [2]

Portanto, em Lutero, a fé é a atividade própria do espírito, a essência íntima da pessoa humana, que transcende a razão e os sentidos e permite uma união ontológica com Deus, características que também estão presentes na tradição mística especulativa [3]. Mas, ao contrário desta última, a mística devocional tem como ponto de partida o distanciamento essencial entre a alma pecadora e a santidade divina, uma separação que é abolida no “noivado místico” realizado por meio da fé: 

“A raça dessa noiva era hostil ao Pai celestial, mas o próprio Cristo reconciliou-a ao Pai por sua mais amarga paixão. A noiva foi calcada em seu sangue, lançada sobre a face da terra (Ezequiel 16:22). Mas ele mesmo a lavou na água do batismo e a purificou no banho mais santo (Efésios 5:26). [...] A noiva estava com fome, mas ele deu-lhe flor de farinha, mel e azeite para comer; com Seu próprio corpo e sangue Ele a alimentou para a vida eterna. A noiva é, em todos os sentidos, infiel e muitas vezes quebra o vínculo conjugal, fornicando com o mundo e o diabo, mas o Noivo a recebe repetidamente em graça com seu imenso amor, renovando-a na verdadeira conversão a ele.” [4]

Vinculada ao Noivo através da fé, a alma compartilha com ele todos os seus bens, incluindo a santidade, e os recebe sem qualquer mérito próprio. Como se pode perceber do trecho citado, essa “passividade” da alma está relacionada à compreensão luterana dos sacramentos como os meios visíveis divinamente instituídos para produzir e fortalecer a fé no crente. Principalmente no caso da eucaristia, a doutrina da “presença real”, segundo a qual o Cristo inteiro (corpo e espírito) está presente no sacramento, pressupõe uma união íntima com o Verbo divino durante a comunhão, o que pode também ser um suporte para uma experiência espiritual mais profunda. Se a Santa Ceia concede ao crente a união objetiva com Cristo, a forma de compreender essa união varia. Johann Gerhard, por exemplo, vê esse sacramento como um verdadeiro banquete celeste, no qual o mesmo corpo que foi glorificado na comunhão da Trindade e que é adorado pelos anjos torna-se presente aqui e agora:

"A alma fiel é alimentada na festa divina e celestial. A carne santa de Deus, que os anjos adoram na unidade das pessoas, que os arcanjos veneram, diante da qual os governantes tremem e se maravilham, essa mesma carne é o nosso alimento espiritual. Alegrem-se os céus e regozije-se a terra (Salmo 96:11), e ainda mais a alma fiel a quem um tão grande e importante dom foi estendido.” [5]

Johann Gerhard

Historicamente, o Luteranismo deu maior ênfase à importância dos sacramentos como os veículos mais importantes para a obtenção da fé (e, com ela, da união mística com Cristo), principalmente devido à polêmica com os chamados “entusiastas” (schwärmerei), que defendiam uma atuação direta de Deus para conceder a fé aos cristãos, sem a necessidade de qualquer mediação. No entanto, isso não significa uma desvalorização da oração e da leitura privada da Bíblia como vias para atingir a experiência de união com Deus. De fato, para a tradição luterana, essas práticas são a manifestação visível da fé recebida na pregação e nos sacramentos, o que significa dizer que elas podem ser também um suporte para vivenciar de uma forma mais profunda a união com Deus, já anteriormente estabelecida pela fé.

No que diz respeito à oração, como já foi mencionado no primeiro post, o Luteranismo preservou a prática das orações jaculatórias e é possível encontrar inclusive alusões a formas interiores de prece, análogas à “oração de Jesus”, do Cristianismo Ortodoxo e às descrições que João Cassiano dá dos estágios mais elevados de prece. Assim, ao tratar da oração em seu livro Wahres Christentum (“Verdadeiro Cristianismo”), Johann Arndt distingue três tipos de prece (oral, interna e sobrenatural), sendo que esta última leva a uma forma de união mística com Deus:

“Por essa prece interna [isto é, a prece incessante e interior] somos levados gradualmente àquilo que é a [prece] sobrenatural; que, de acordo com Tauler, ‘consiste em uma verdadeira união com Deus pela fé; quando nosso espírito criado se dissolve, por assim dizer, e se afunda no Espírito incriado de Deus. [...]’. Por esta razão, esta prece sobrenatural é incrivelmente mais excelente do que a [prece] que é principalmente externa; pois nela a alma é, pela fé verdadeira, tão plenificada com o amor divino, que não pode pensar em outra coisa senão em Deus. [...] Uma alma que uma vez chegou a este estado feliz dá pouco ou nenhum emprego à língua: ela é silenciosa diante do Senhor. [...] Por isso, ela é ainda mais e mais cheia de um conhecimento experimental de Deus, e com tal amor e alegria como nenhuma língua é capaz de proferir. Tudo o que a alma então percebe está além de toda possibilidade de ser expresso em palavras. " [6]
Johann Arndt

Portanto, existe na tradição luterana não só um fundamento teológico para o que chamamos de “mística devocional”, como também a possibilidade de vivenciar de fato experiências que podemos muito bem qualificar como “místicas”, a partir da participação nos sacramentos e da prática da prece interior. No próximo e ultimo post dessa série, analisaremos outra vertente da mística luterana.


Autoria: Rodrigo Moreira de Almeida.

NOTAS:

[1] Comentário ao Salmo 2, versículo 10. In: Comentário aos salmos, 1519.
[2] Comentário ao Magnificat, 1521.
[3] A esse respeito, vale citar o comentário de Rudolf Otto, que compara a fé luterana ao “fundo da alma” da mística alemã, o centro “no qual se realiza a união [com Deus]” (O Sagrado. São Leopoldo: Sinodal/EST; Petrópolis: Vozes, 2007, p. 143). Mais uma vez, é possível ver o parentesco entre Lutero e Mestre Eckhart, via Tauler, discípulo de Eckhart que era lido avidamente pelo jovem Lutero.   
[4] Johann Gerhard, Meditationes sacrae, XIII.
[5] Meditationes sacrae, XIX. Essa compreensão do sacramento é expressa também no Prefácio à celebração da Santa Ceia, utilizado frequentemente na liturgia luterana: “Portanto, com os anjos e arcanjos e com toda a companhia celeste, louvamos e magnificamos o teu glorioso nome.”
[6] Wahres Christentum, livro 2, XX, 4. É interessante comparar a descrição que Arndt dá da “prece sobrenatural” com a descrição que João Cassiano dá dos estágios mais elevados da prece: “[Esta prece] vem de uma intenção mental ardente, através de um enlevo inefável do coração, por meio de um inexplicável arrebatamento do espírito. Livre de todas as sensações e de preocupações visíveis, a mente derrama-se sobre Deus com gemidos e suspiros inexplicáveis (Rm 8,26)” (Conferências, 10, 11).

agosto 01, 2019


por Rodrigo Moreira de Almeida

A relação entre o Luteranismo e a mística sempre foi uma questão controversa, indo desde a aceitação relativa até a rejeição completa. Essa ambiguidade remonta ao pensamento do próprio Lutero, que, se por um lado criticou abertamente luminares da mística cristã, como São Dionísio Areopagita e São Boaventura [1], por outro foi responsável pela publicação e divulgação do tratado místico conhecido como Theologia Germanica. A presença de símbolos típicos da literatura mística medieval também é um traço marcante nas obras do reformador. Por exemplo, nesse trecho do Tratado sobre a liberdade cristã, Lutero descreve a união entre Cristo e a alma nos termos de um “noivado místico”, simbolismo constante na literatura cristã antiga e medieval desde a época de Orígenes:

“[...] a alma é copulada com Cristo como a noiva com o noivo, sacramento pelo qual (como ensina o apóstolo) Cristo e alma são feitos uma só carne. Sendo eles uma carne, é consumado entre eles o verdadeiro matrimônio, sim, o mais perfeito de todos, enquanto os matrimônios humanos são figuras tênues desse matrimônio único. Daí se segue que tudo se lhes torna comum, tanto as coisas boas quanto as más, de modo que a alma fiel pode apropriar e gloriar-se de tudo que Cristo possui como sendo seu, e de tudo que tem a alma Cristo se apropria como se fosse seu.” [2]

Como se pode ver, o relacionamento de Lutero com o legado da espiritualidade medieval era mais complexo do que se poderia imaginar à primeira vista. Longe de querer fazer tabula rasada tradição mística católica-romana, seu objetivo era adaptar os símbolos e temas dessa tradição para o contexto de uma espiritualidade que não fosse mais monástica e ascética, mas que pudesse ser vivenciada em meio às preocupações mundanas. Para isso, em contraste com otraining espiritual que caracteriza a mística católica-romana e ortodoxa, Lutero enfatiza a simplicidade e a espontaneidade evangélicas. A ascese se concentra no “templo interior”, morada do Espírito Santo, e não tem necessidade de se exteriorizar por meio de votos monásticos, celibato, etc.. No entanto, se Lutero abriu as portas para a possibilidade de uma mística acessível a todo cristão de boa vontade, esses novos horizontes também trouxeram consigo novos desafios. Afinal, se o monasticismo foi a instituição responsável pela consolidação e florescimento da mística cristã, como seria possível que ela se manifestasse fora dos muros dos mosteiros? Não podendo mais se amparar nas práticas ascéticas que dão o tom da mística católica-romana, a espiritualidade luterana se fundamenta na leitura bíblica, na oração e na participação na vida sacramental da Igreja. Como já notamos acima, existe no Luteranismo uma tendência ao despojamento, uma redução da espiritualidade ao seu núcleo essencial, que também se manifesta na simplicidade dos suportes externos para o processo de santificação. O primeiro deles, a leitura bíblica, se mostra de forma evidente desde o início da Reforma Luterana. Como se sabe, a leitura do texto da Epístola aos Romanos provocou um impacto duradouro na alma de Lutero e estimulou o início de sua atividade reformadora. Muito mais do que um compêndio de doutrinas, o texto bíblico, para ele, era fonte de profundas intuições espirituais:

“Pois o que para nós é ‘o bem’ está oculto, e tão profundo que vem a ficar justamente debaixo do que é o contrário do ‘bem’. Assim, nossa vida está escondida sob a morte, o amor a nós sob o ódio a nós, a glória sob a ignomínia, a salvação sob a perdição, o reino sob o desterro, o céu sob o inferno, a sabedoria sob a insensatez, a justiça sob o pecado, o vigor sob a debilidade. E assim, de forma muito geral, toda nossa afirmação de um bem qualquer está oculta sob a negação do mesmo, a fim de que a fé encontre seu lugar em Deus, o qual é de uma essência, bondade, sabedoria e justiça totalmente distintas, e que não pode ser possuído nem tocado por homem algum, a não ser que neguemos todas as nossas afirmações. De tal sorte, ‘o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo’ (Mt 13:14). O campo é algo que tem a ver com a sujeira. É o contrário do tesouro, porque o campo é pisoteado, mas o tesouro é escolhido. E, não obstante, o campo esconde o tesouro. Assim também a nossa vida ‘está escondida com Cristo em Deus’ (Col. 3:3), ou seja, na negação de tudo quanto se possa sentir, possuir e entender.” [3]

Nesse trecho, retirado do Comentário aos Romanos de 1515-1516, podemos ver como Lutero se apropria e transforma um dos temas mais importantes da mística cristã, a teologia negativa. Para ele, Deus só pode ser conhecido pela negação de todas as nossas afirmações. Porém, esse Deus absconditus não é a “divindade superior à divindade” de Dionísio Areopagita, o Deus inefável transcendente ao Ser e à linguagem. O “Deus oculto” é o Deus que se esconde sob o Cristo na cruz, que encobre a glória sob a ignomínia, o vigor sob a debilidade, a vida sob a morte. Toda a vida de Cristo na terra é uma ocultação de Sua glória, que só pode ser apreendida pela fé, a “negação de tudo quanto se possa sentir, possuir e entender”. Se o monge experimenta o contato íntimo com Cristo por meio de uma vida de privações, para Lutero a fé é suficiente para descobrir o Cristo glorioso por baixo do Cristo humilde e desprezado [4]. Daí a importância que a Bíblia assume na espiritualidade luterana: se a fé deve se apropriar do Cristo, a Escritura Sagrada é o lugar por excelência para encontrá-lo.
Segundo pilar, a oração, inclui não só as petições individuais, mas também as orações canônicas (o Pai Nosso e os salmos) e também as orações jaculatórias, que nunca deixaram de ter o seu lugar na prática espiritual luterana [5]. Nesses dois últimos casos, a oração não se articula a partir de palavras escolhidas a esmo pelo homem, mas a partir da linguagem do próprio texto sagrado ou a partir do nome divino, como acontece com a Oração de Jesus. Ocorre, assim, um descentramento, que é a grande vantagem das preces canônicas e jaculatórias em relação à prece individual: ao invés de se concentrar em seus próprios interesses particulares, o fiel permanece totalmente passivo diante da Palavra divina, disposto a ser moldado por ela. 

Por fim, a terceira baliza da espiritualidade luterana é a participação na vida sacramental da Igreja. O Cristianismo não é uma religião individualista: o cristão é chamado a fazer parte da vida comunitária da Igreja, que é o Corpo de Cristo. Como tal, a Igreja é também beneficiária da vida divina do Cabeça, a qual é distribuída aos fiéis por meio dos sacramentos [6]. Assim, no sacramento do batismo, o crente inicia sua vida cristã unindo-se ao Cristo; no sacramento da Santa Ceia, o crente consolida seu crescimento espiritual reafirmando essa união. Assim, a leitura individual da Palavra escrita, a Bíblia, é equilibrada pela participação na Palavra encarnada, a Santa Ceia.

É a partir desse tripé que a espiritualidade luterana se desenvolve e, com ela, a possibilidade da experiência mística, compreendida aqui como uma interpretação e uma vivência mais profundas da Bíblia, da oração e da vida na Igreja. Nos próximos posts dessa série, veremos como isso se realizou historicamente dentro do Luteranismo.

Autoria: Rodrigo Moreira de Almeida. 

NOTAS:
[1] Numa das Conversas à mesa, Lutero chama a teologia mística de São Boaventura de “fantasia inútil”. Já a mística de São Dionísio Areopagita é acusada de ser “uma mera fábula e mentira”.
[2] Obras selecionadas de Lutero, Vol. 2: o programa da Reforma: escritos de 1520. São Leopoldo; Porto Alegre: Sinodal; Concórdia, p. 442.
[3] Comentarios de Martin Lutero: Romanos. Barcelona: Clie, vol. I, pp. 309-310.
[4] Podemos ampliar essa interpretação a partir da referência de Lutero à parábola do “tesouro escondido” (Mt 13:14): o campo representa a terra, que, na cosmologia antiga, era considerado o elemento mais baixo e mais inferior. Entretanto, é dentro dele que está oculto o tesouro, isto é, o ouro, o mais nobre dos metais e também um símbolo da glória divina, que é descoberta pela fé. Por outro lado, essa analogia também corresponde à tendência da espiritualidade luterana de buscar no mundo (e não fora dele) o ouro escondido da santidade.
[5] O Pai Nosso e alguns salmos são parte integrante da liturgia do culto luterano. Sobre as orações jaculatórias, veja o texto de Carlos Alberto Leão sobre o terço luterano, neste mesmo blog:http://itinerariodeumluterano.blogspot.com.br/2016/08/o-terco-luterano.html .
[6] Embora não seja um sacramento, a pregação pública da Bíblia também é um meio instituído por Deus para dispensar Sua graça aos homens. Por esse motivo, a Igreja é definida no artigo VII da Confissão de Augsburgo como “a congregação de todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos sacramentos são administrados de acordo com o evangelho.”