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agosto 30, 2019


por Jordan Cooper

Na tradição pietista, destaca-se a distinção entre igreja visível e invisível. Essa doutrina chegou à escola walteriana de luteranismo confessional; às vezes confessa-se que a igreja é puramente invisível, embora tenha certos "sinais" visíveis de sua presença. Existe alguma sabedoria em separar a fé verdadeira das estruturas eclesiais externas, pois a fé é uma questão do coração, mas finalmente acredito que essa tradição perde a conexão íntima entre o físico e o transcendental dentro do pensamento de Lutero. Lendo um artigo intitulado "Luther's Double-Faceted Concept of the Church", de Vilmos Vajta (no volume: Manns, Peter et. al. Luther's Ecumenical Significant: An Interconfessional Consultation. Philadelphia: Fortress, 1984.) Encontrei a seguinte citação de Lutero que explica muito bem a relação entre o visível e o invisível:

Portanto, por uma melhor compreensão e brevidade, chamaremos as duas igrejas por dois nomes diferentes. A primeira, que é natural, básica, essencial e verdadeira, a chamaremos de 'espiritualidade, cristianismo interior'. A segunda, que é feita pelo homem e externo, nós a chamaremos de "cristianismo físico, externo". Não é que desejemos separá-las uma da outra; é como se estivesse falando de uma pessoa e chamando-a de "espiritual" de acordo com sua alma, e "físico" de acordo com seu corpo, ou como o apóstolo está acostumado, a falar de uma pessoa "interna" e "externa". Assim, também, a assembléia cristã é uma comunidade unida em uma fé segundo a alma, embora de acordo com a corpo, não pode se reunir em um só lugar, pois cada grupo de pessoas se reúne em seu próprio lugar.

Para Lutero, há uma conexão essencial entre os dois aspectos da igreja. Não é como se houvesse duas igrejas separadas, uma visível e outra invisível, mas a igreja contém um aspecto visível e invisível. Isso está de acordo com a teologia sacramental de Lutero, que mantém a realidade dos elementos terrestres e celestes em uma conexão vital entre si. Portanto, a visão de Lutero sobre a igreja não é a de uma realidade platônica etérea, como alguns afirmam, senão que é completamente encarnada. Isso não é apenas mais consistente com a própria teologia de Lutero e a da Igreja Católica, mas retrata o uso da ecclesia no Novo Testamento.

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junho 29, 2018

Breve Resumo da Eclesiologia Luterana


Por Denício Godoy

O presente trabalho visa apresentar de forma sucinta a definição teológica do bem-aventurado Dr. Martinho Lutero sobre a Igreja Cristã a partir da doutrina da justificação pela fé. Partindo da perspectiva da justificação presente na exposição do segundo artigo do credo apostólico do Catecismo Menor, podemos lançar um primeiro olhar para o terceiro artigo do Credo Apostólico e então compreendermos melhor o que Lutero propõe como Igreja Cristã, . 

Na exposição do terceiro artigo do Credo, Lutero confessa: 

“Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim também chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na verdadeira e única fé. Nesta cristandade perdoa a mim e a todos os crentes diária e abundantemente todos os pecados, e no dia derradeiro me ressuscitará a mim e a todos os mortos, e me dará a mim e a todos os crentes em Cristo a Vida Eterna.” (Catecismo Menor). 

Para Lutero, a Igreja é a portadora dos meios da graça. É através destes meios, palavra e sacramentos, que o Espírito Santo nos chama pelo Evangelho, ilumina com seus dons, santifica e conserva na verdadeira e única fé. 

Segundo Oswald Bayer, a igreja 

“não está ligada fundamentalmente a determinados lugares sagrados, templos sagrados, pessoas santas nem ritos sagrados, mas, por outro lado, ela tampouco é uma sociedade platônica, que só existiria como ideia, uma acusação que logo foi lançada contra os reformadores pelos adeptos da fé antiga (BAYER, 2007, p.185). 

Bayer argumenta que, para Lutero, na Palavra está contido tudo que faz a Igreja ser igreja. “Ubi est verbum, ibi est Ecclesia”, onde está a Palavra, ali está a Igreja. Lutero afirma na obra Do Cativeiro Babilônico da Igreja que 

“[...] a Igreja nasce da palavra da promessa, por meio da fé, e pela mesma é alimentada e conservada. Isto é, ela própria é constituída pelas promessas de Deus, e não a promessa de Deus por ela.” (LUTERO, 2016, p. 410). 

Tudo o mais que Lutero entende por igreja é um desdobramento dessa centralidade da Palavra na vida da própria Igreja. Isto é, a Igreja não é uma teoria gnóstica e superior (igreja invisível) mas uma realidade que se manifesta de forma visível. Como a igreja se apresenta de forma visível? Poderíamos dizer que no pensamento de Lutero a palavra se sacramentaliza (i.e é entregue como perdão) na proclamação da igreja e na administração dos sacramentos. 

O Espírito Santo chama pelo Evangelho 

Como visto na afirmação do Catecismo Menor de Lutero, o Espírito Santo chama a todos por meio do Evangelho. Na sua carta aos romanos, São Paulo afirma que "a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.” (Romanos 10:17 NVI). Na teologia de Lutero, a função da Igreja é proclamar a boa nova do Evangelho, de maneira que os homens creiam em Cristo e sejam justificados pela fé. A Igreja aponta para o segundo artigo do Credo. 

A Confissão de Augsburgo em seu 5° artigo diz que

“Para conseguirmos essa fé, instituiu Deus o ofício da pregação, dando-nos o evangelho e os sacramentos, pelos quais, como por meios, dá o Espírito Santo, que opera a fé, onde e quando lhe apraz, naqueles que ouvem o evangelho, o qual ensina que temos, pelos méritos de Cristo, não pelos nossos, um Deus gracioso, se o cremos.” 

E no artigo 7° nos deparamos com a seguinte afirmação: 

“Ensina-se também que sempre haverá e permanecerá uma única santa igreja cristã, que é a congregação de todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos sacramentos são administrados de acordo com o evangelho. Porque para a verdadeira unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em conformidade com a palavra de Deus. E para a verdadeira unidade da igreja cristã não é necessário que em toda a parte se observem cerimônias uniformes instituídas pelos homens. É como diz Paulo em Efésios 4: 'Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo.'” 

Santificados e conservados na verdadeira fé. 

Note que no 7° Artigo, escrito por Melanchthon e subscrito por Lutero, encontramos a afirmação de que ensina-se – isto é, na Igreja Luterana – que sempre haverá e permanecerá uma única santa igreja cristã. Esta única santa igreja, explica o artigo da CA, é a congregação dos santos, entre os quais o evangelho é pregado corretamente e os sacramentos são administrados de acordo com o evangelho, de acordo com a instituição de Cristo. Isto nos coloca diante de uma qualificação que exclui muito da compreensão do protestantismo moderno de que as diferenças em questões como sacramentos (Batismo e Eucaristia) consistem em diferenças secundárias e irrelevantes. Para Lutero e os reformadores luteranos, é necessário que a palavra seja pregada corretamente. O artigo 7° fala do “evangelho pregado corretamente” e, a partir da teologia de Lutero como um todo, podemos deduzir a correta distinção entre lei e evangelho como um fator primordial para que isso ocorra. O artigo também sustenta que os sacramentos devem ser administrados conforme foram instituídos por Cristo. Com esta afirmação, por certo, estão excluídos os sacramentários, os romanistas e demais correntes teológicas que negam ou confundem a eficácia dos sacramentos. 

Sendo assim, na compreensão de Lutero, Espírito Santo e igreja estão intimamente ligados. No Catecismo Maior encontramos a seguinte colocação de Lutero: 

“Aprende, pois, a compreender esse artigo da maneira mais clara. Se perguntarem: que queres dizer com as palavras “Creio no Espírito Santo”?, podes responder: “Creio que o Espírito Santo me santifica, como seu nome indica”. Mas como ele o faz ou qual é a sua maneira ou meio para tanto? Resposta: “Por intermédio da igreja cristã, da remissão dos pecados, da ressurreição da carne e na vida eterna”. Pois, em primeiro lugar, ele tem uma congregação peculiar no mundo, congregação essa que é a mãe e que gera e carrega cada cristão mediante a palavra de Deus, que ele revela e prega. Ilumina e incende os corações para que a entendam, aceitem, a ela se prendam e nela permaneçam”. (LUTERO, 2012, p. 83) 

Notamos aqui que Lutero pode perfeitamente falar da “mãe igreja” – no sentido de que a igreja é o meio pelo qual a palavra de Deus me alcança e gera a fé no coração. Nesta igreja o Espírito Santo nos santifica e ilumina com seus dons. 

A Igreja vive pelo perdão. 

Na Igreja, a portadora dos meios da graça, o Espírito Santo perdoa diária e abundantemente todos os pecados. Para Lutero, esta ação começa desde quando somos inseridos na comunhão da Santíssima Trindade. No Catecismo Menor Lutero confessa sobre o sacramento do Batismo: 

“Opera a remissão dos pecados, livra da morte e do diabo e dá a salvação eterna a quantos creem, conforme dizem as palavras e promessas de Deus. Quais são estas promessas? São as que nosso Senhor Jesus Cristo diz no último capítulo de Marcos: 'Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado'”. 

A Igreja também é portadora do Ofício das Chaves, oficio através do qual o perdão dos pecados nos é comunicado individualmente e de forma audível: 

“A confissão compreende duas partes: primeiro, que confessemos os nossos pecados; segundo, que aceitemos a absolvição do confessor como de Deus mesmo, sem duvidar de modo algum, mas crendo firmemente que por ela os pecados são perdoados perante Deus no céu.” 

Um terceiro meio pelo qual Deus nos perdoa individualmente através da Igreja é o Sacramento do Altar que, segundo Lutero: 

“É o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido, sob o pão e o vinho, por nós, cristãos, como Cristo mesmo o instituiu.”

Lutero afirma que o proveito em comer e beber o corpo e sangue de Cristo no sacramento é indicado nas Palavras:

“’Dado e derramado em favor de vós para remissão dos pecados’. Por estas palavras nos são dadas no sacramento remissão dos pecados, vida e salvação. Pois onde há remissão dos pecados, há também vida e salvação.”


Para Lutero, a Igreja vive pelo perdão dos pecados. “Unicamente Cristo é o cabeça da cristandade (Igreja). Ele age através do Evangelho pregado, do Batismo e da Ceia d o Senhor, os quais, portanto, são também os canais pelos quais a verdadeira Igreja se identifica. A tarefa da cristandade (Igreja) não é governar as pessoas, e sim levá-las ao arrependimento e anunciar-lhes o perdão de Deus.” (LUTERO, 2016, p. 199) 


Referências Bibliográficas 


BAYER, Oswald. A teologia de Martim Lutero. São Leopoldo: Sinodal, 2007. 

LINDENBERG, Carter. História da Reforma. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017. 

LUTERO, Martinho. Catecismo Menor. Disponível em: <http://catechism.cph.org/pt/> Acesso em: 01 jun. 2018, 15:16:05

LUTERO, Martinho. “Do Cativeiro Babilônico da Igreja”, In. Obras Selecionadas, v. 2. São Leopoldo: Sinodal e Porto Alegre: Concórdia, 2016. 

LUTERO, Martinho. “A respeito do Papado em Roma contra o Celebérrimo Romanista de Leipzig”, In. Obras Selecionadas, v. 2. São Leopoldo: Sinodal e Porto Alegre: Concórdia, 2016. 

LUTERO, Martim. Catecismo Maior. São Leopoldo: Sinodal e Porto Alegre: Concórdia, 2012. 

MELANCHTHON, Phillip. “Confissão de Augsburgo”. In: Livro de Concórdia: As Confissões da Igreja Evangélica Luterana. – 6. Ed. – São Leopoldo : Sinodal; Porto Alegre : Concórdia, 2006.

janeiro 24, 2018

Doutrina da Igreja nas Confissões Luteranas


Por Rev. Jason D. Lane

Em 1521, Thomas Murner, um dos primeiros oponentes católicos de Lutero, atacou a visão de Lutero sobre a Igreja e o acusou de "construir uma igreja da mesma maneira que Platão construiu uma cidade" (cf. LB 39:218). Para Murner, Lutero havia apresentado a igreja como um produto da imaginação que não tem permanência na realidade. Em oposição aos seus oponentes católicos, Lutero ensinou que a Igreja é "um reino espiritual" que não se poder ver a simples vista nem compreender pela própria razão. Em outras palavras, a igreja é um artigo de fé: "Creio em uma santa igreja católica." No entanto, isso não significa que a igreja seja irreconhecível. O artigo VII da Apologia afirma a explanação de Lutero e, no entanto, argumenta contra uma igreja imaginária: "E nós, deveras, não sonhamos uma sociedade platônica, como alguns impiamente sofismam, porém dizemos que existe essa igreja, a saber, os deveras crentes e justos, esparsos por todo mundo e adicionamos as notas: a doutrina pura do evangelho e dos sacramentos." (Ap VII: 20)

As Confissões Luteranas fazem uma distinção entre a igreja "estritamente falando", a qual pertencem todos os crentes esparsos por todo o mundo (CA VII), e a igreja "admixti" (misturada), isto é, a igreja visível na qual os céticos estão misturados com os santos e podem, inclusive, servir nos ofícios da igreja (CA VIII). A designação típica para isto é igreja escondida e igreja visível. Uma vez que nossa nomenclatura LCMS foi deslocada das Confissões, vale a pena notar que os escritores confessionais sabiam e evitavam o termo "igreja invisível". A Igreja nunca é invisível porque a Palavra e os Sacramentos nunca são invisíveis.

Então confessamos que a igreja está oculta e visível. A Apologia VII estabelece que "a igreja não é apenas sociedade de coisas externas e ritos, como acontece em outros governos, senão que é, principalmente, sociedade de fé e do Espírito Santo nos corações" (Ap VII: 5). Ademais: "Se definirmos a igreja como sendo apenas governo externo de bons e maus, não entenderão os homens que o reino de Cristo é justiça do coração e o dom do Espírito Santo; julgarão que é somente observância externa de certas formas cultuais e ritos" (Ap VII: 13) A igreja não é criação da lei, mas uma criação do evangelho. Essa é a principal preocupação nas Confissões, quando confessam que é a assembleia de todos os crentes.

Essa é a grande distinção entre a doutrina luterana sobre a igreja e todas as demais na cristandade ocidental. Devido ao fato de que as Confissões Luteranas colocam toda ênfase na doutrina da igreja sobre a obra de Deus através da Palavra e Sacramentos, a igreja se salva do instintucionalismo de Roma por um lado e do individualismo dos reformados e protestantes radicais por outro. A igreja existe e existirá para sempre porque Deus continua criando e mantendo-a através da pregação do evangelho e da administração dos sacramentos. A igreja não pode ser governada pela lei, nem pode se basear na razão ou nas emoções das pessoas. 

A doutrina da igreja não é  abstrata ou flutuante, senão que se confessa concretamente, baseada somente na obra de Deus através dos meios da graça. Nossas confissões tomam como uma questão de fato que "nossas igrejas" são manifestações da santa igreja católica, não por sua própria pureza, mas pelo poder purificador da Palavra de Deus e dos Sacramentos. Por esta razão, os cristãos podem ser encontrados onde se encontra o evangelho. "Graças a Deus", escreve Lutero, "uma criança de sete anos sabe o que é a igreja: os santos crentes e 'os cordeirinhos que ouvem a voz de seu pastor' (AE III, XII), 2). Em um sentido muito real, então, a igreja desfruta da unidade completa e perfeita onde quer que alguém escute a voz de Cristo, até mesmo se raramente experimentamos esta unidade aqui e agora.

CA VII declara: Porque para a verdadeira unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em conformidade com a palavra de Deus. E para a verdadeira unidade da igreja cristã não é necessário que em toda a parte se observem cerimônias uniformes instituídas pelos homens." Novamente, as Confissões nos levam de volta à palavra e obra de Cristo administrada a nós através do Ofício da Pregação, o mesmo que Cristo estabeleceu e transmitiu através de Seus apóstolos, para que as pessoas creiam nele (Romanos 10.14; CA V). Esta entrega da salvação é obra de Deus. E onde quer que a encontre, ali está a verdadeira Igreja. Quando os escritores das Confissões descrevem a igreja visível, onde todavia existem os céticos, sempre retornam às promessas de Deus, especialmente a promessa de que só há uma, santa, católica, e a igreja apostólica de Deus, e não de alguma instituição ou país em particular. A confissão de que a igreja permanecerá porque Cristo permanece é um consolo real para os cristãos que vivem em dias obscuros quando a santidade da igreja parece perdida, "para que não desesperamos, mas que saibamos que a igreja permanecerá; para que saibamos que por maior que seja a multidão dos ímpios, no entanto, a igreja existe e Cristo outorga os dons que prometeu à Igreja: o perdão dos pecados, a oração respondida, o dom do Espírito Santo. "O trabalho de Deus é seguro e, portanto, a igreja, sua própria criação, é tão segura.

O Reverendo Jason D. Lane é Professor Assistente de Teologia na Concórdia Universitu Wisconsin, em Mequon, WI.

Publicado originalmente em www.lutheranreformation.org

agosto 27, 2017

Quem edifica a Igreja?


Todos os dias “nascem” novas igrejas. Algumas têm uma longa história, mas outras nascem e desaparecem como cogumelos. Por isso, convém perguntar: quem edifica a Igreja? 

Jesus dialoga com os seus discípulos. Primeiro, eles falam acerca daquilo que o povo acha de Jesus. Depois, vem a confissão de Pedro: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo” (v. 16). A seguir, Jesus encara Pedro e lhe diz que essa confissão não vem dele, não é humana, mas fruto da revelação divina. O texto culmina com a palavra: “Você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu” (vv. 18,19).

Essas palavras já geraram muita polêmica. A Igreja católica legitima com elas a autoridade do papa como sucessor de Cristo e fundamenta nelas sua infalibilidade. 

Certamente, não é nesse sentido que a palavra de Jesus deve ser entendida. 

Fundamento da Igreja não é Pedro, como pessoa; não é sobre ele que Jesus quer edificar a sua Igreja. Fundamento é a confissão de Pedro: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Confira 1 Coríntios 3.11: “Porque Deus já pôs Jesus Cristo como o único alicerce, e nenhum outro pode ser colocado”. Também é preciso lembrar que quem edifica a Igreja não é Pedro, mas o próprio Cristo. Sim, é Jesus quem a edifica e a mantém. Faz isso chamando pessoas imperfeitas como Pedro, como você e eu para seus colaboradores.

Oremos

Senhor, é muito bom ouvir e entender que tu, somente tu, és o fundamento da Igreja e que a edificas e a renovas através dos tempos e da história. Usa-nos como colaboradores na edificação de tua Igreja para a salvação do mundo. Amém.

Mensagem publicada em 10/09/2007 no Devocional Castelo Forte